quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Conhecendo os autores IV - George Gardner

George Gardner (1809 ou 1812-1849), botânico, naturalista, zoólogo, médico e explorador escocês, desembarcou no Rio de Janeiro em 1836. Aqui ficou até 1841, quando retornou à Inglaterra munido de diversos estudos, principalmente sobre a flora brasileira. Seus relatos de viagens, que incluíram ainda lugares como Sri Lanka, carregam reflexões valiosas também sobre os costumes e a vida locais. Para saber mais, acesse:


"Não foi sem grande pesar que deixei o Brasil, porque a vida que lá vivi era independente e livre e para minha saúde, seu clima era melhor que o da Inglaterra; que o país é belo e mais rico que qualquer outro do mundo nos objetos naturais a cujo estudo devotei a minha vida".
Gardner, ao final de sua obra "Viagem ao interior do Brasil".

Resenha do texto de Engels

ENGELS, Friedrich, “O Papel do trabalho na transformação do macaco em homem”. In: ENGELS, F. O papel do trabalho na transformação do macaco em homem. São Paulo, Global Editora, 1986. pp. 11-37.

Em sua obra “O Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem”, Friedrich Engels, faz uma análise dos processos responsáveis pela transformação mencionada no título e dos resultados obtidos a partir delas. Este texto não possui subdivisões, a não ser por uma breve apresentação escrita por Renato Queiroz.
O texto se inicia afirmando que o trabalho não é apenas o responsável pela criação de riquezas, como afirmam os economistas, mas, de certa forma, pela criação do próprio homem, pois foi ele que deu origem às transformações ocorridas nos macacos.
Durante os milhares de anos dessa transformação, o corpo dos macacos foi sendo adaptado e evoluiu. A cada mudança em seus hábitos, como a saída dos galhos para começar a caminhar no chão, seu organismo sofria também alterações baseadas nessa mudança. No exemplo citado, por não utilizarem mais as mãos para caminhar no chão, ela passou a ser útil para outros fins, sofrendo alterações. Assim, o autor conclui que o nosso corpo não é apenas um órgão de trabalho, mas, também, um produto dele, o que se deve ao aperfeiçoamento do corpo advindo de suas novas funções e a transmissão hereditária destes. (pp. 21-22)
As adaptações de mãos e pés acarretaram mudanças em todo o organismo, por causa da Correlação do Crescimento, lei descoberta por Darwin. O melhor exemplo dessas mudanças seria o surgimento da linguagem: os homens, que são extremamente sociáveis, em determinado momento de sua evolução, sentiram a necessidade de dizer algo uns aos outros, o que acarretou no surgimento dos órgãos vocais.
O trabalho e a linguagem são os dois fatores principais na transformação e evolução do cérebro símio para o humano, maior e mais perfeito. E, com essa evolução, evoluíram também os sentidos, que, segundo o autor, são os instrumentos imediatos do cérebro. (p. 25)
Conforme evoluía e se distanciava da animalidade, o homem exercia mais e mais sua influência sobre a natureza, sempre através do trabalho, visando atingir objetivos pré-determinados. E essa seria a principal diferença entre o trabalho humano e o animal: o homem age sobre a natureza, modificando-a, conforme suas necessidades e suas vontades, enquanto o animal só pode aproveitar o que a natureza oferece, sem modificá-la. Colocando em poucas palavras, o homem domina a natureza enquanto o animal apenas se utiliza dela. (p. 33)
Mas essa dominação da natureza por parte do homem gera respostas desta. O autor cita alguns exemplos, como o dos povos antigos da Mesopotâmia, Grécia, Ásia Menor e outras regiões, que, ao desmatarem bosques para cultivar a terra livre, destruíram reservas de umidade, sendo responsável pela aridez atual desses lugares. Mas os homens aprenderam a prever e a evitar essas respostas da natureza, sempre por meio do aprendizado de novas técnicas. Porém os homens ainda estão longe de prever e evitar as consequências sociais de seus atos. Para citar um exemplo, Colombo não sabia, ao descobrir a América, que faria ressurgir a escravidão, há muito extinta.
Apesar de parcialmente datado, este texto, escrito no final do século XIX, traz elementos muito importantes para qualquer estudioso das ciências sociais, por tratar de um fator determinante na evolução do ser humano, o trabalho. Levando em consideração a data em que foi escrito e adaptando-o aos dias de hoje, podemos tirar muitas informações essenciais deste texto. Além disso, percebemos uma crítica por parte do autor, criador do socialismo científico ao lado de Karl Marx, a todos os meios de produção existentes, por sempre visarem um resultado imediato, sem se preocupar com as consequências que surgiriam mais tarde.
Friedrich Engels foi um teórico revolucionário alemão que escreveu livros de profunda análise social. Juntamente com Marx, escreveu O Manifesto do Partido Comunista e ajudou a publicar os dois últimos volumes de "O Capital", escrito por Marx.

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Resenha do texto de Andrade



ANDRADE, M. C. de, "As ideias geográficas na antiguidade”; “A geografia na idademédia” e “A geografia dos tempos modernos”. In: ANDRADE, M. C. de, Geografia, Ciência da Sociedade: umaintrodução a análise do pensamento geográfico. São Paulo: Editora Atlas, 1987. P. 20-45.


Datada de 1987, a obra de Manuel Correia de Andrade intitulada “Geografia,Ciência da Sociedade: uma introdução à análise do pensamento geográfico” (SãoPaulo: Editora Atlas, 1987) traz nos seus capítulos: “As ideias geográficas naantiguidade”; “A geografia na idade média” e “A geografia dos tempos modernos” (p.20-45) as premissas do desenvolvimento dos conhecimentos geográficos na humanidadeatravés dos séculos, e como esse desenvolvimento se articulou com base emdiversos aspectos intrínsecos à sociedade.
No segundo capítulo de seu livro, “As ideias geográficas naantiguidade”, o autor disserta sobre as técnicas utilizadas nas sociedades emquestão que os permitiam sobreviver e de como o meio influenciava ocomportamento e a visão estratégica do território. Segundo Andrade, não épossível afirmar “que eles fizessem ou cultivassem uma Ciência geográfica” (p.22). No entanto, é interessante abordar o fato de o autor considerar que estespovos “cultivasse ideias de ordem geográfica” (p. 22), através de práticasempíricas cotidianas.
No capítulo subsequente, fica clara a importância com que oautor trata o desenvolvimento do pensamento geográfico através dos gregos e dascivilizações da Idade Média. Andrade expõe diversos avanços, sobretudo naastronomia, geometria e geodésia, evidenciando os conhecimentos dascivilizações cujas contribuições científicas serviram como base para as atuaisconjecturas geográficas. Andrade retrata ainda a efervescência dos pensamentosinfluenciados pela Igreja católica e o surgimento do capitalismo comercial, queserviriam como base para as transformações políticas, econômicas e sociais dosséculos subsequentes e que, dessa forma, alterariam os modelos de apropriação eexploração do espaço.
No quarto capítulo do livro de Manuel Correia de Andrade, o focoé no desenvolvimento da Geografia nos tempos modernos. O autor se utiliza deacontecimentos como a Segunda Guerra Mundial para relatar a influência dosaspectos políticos e econômicos na apropriação do espaço. Por fim, Andrade dizconsiderar os “conhecimentos geográficos esparsos e interligados às váriasciências” (p. 44). Sendo assim, o autor ao final do capítulo cita importantesnomes ligados ao conhecimento científico e suas particularidades que osaproximam do estudo da Geografia.
Durante todos os capítulos abordados, a principal ideia retiradaé a de que a geografia, enquanto ciência do espaço, não é algo estático,imutável, mas sim resultado da combinação de diversos fatores de cunhopolítico, cultural e social, retratados com excelência pelo autor através deuma retrospectiva histórica que não apenas narra os fatos acontecidos, mastambém os atrela ao desenvolvimento do conhecimento geográfico desde os povospré-históricos até as sociedades dos tempos modernos. Este, entre outrosmotivos torna a leitura válida. De forma clara e precisa, o autor liga odesenvolvimento das civilizações ao conhecimento científico e geográfico daépoca, evidenciando, além dos grandes feitos dessas sociedades, a forma comoutilizavam esses conhecimentos em seu próprio benefício econômico, social ecultural. Como o nome do livro nospropõe, Andrade irá ao longo dos capítulos abordados nos mostrar como aGeografia influencia e é influenciada pela sociedade.