quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Resenha do texto de Engels

ENGELS, Friedrich, “O Papel do trabalho na transformação do macaco em homem”. In: ENGELS, F. O papel do trabalho na transformação do macaco em homem. São Paulo, Global Editora, 1986. pp. 11-37.

Em sua obra “O Papel do Trabalho na Transformação do Macaco em Homem”, Friedrich Engels, faz uma análise dos processos responsáveis pela transformação mencionada no título e dos resultados obtidos a partir delas. Este texto não possui subdivisões, a não ser por uma breve apresentação escrita por Renato Queiroz.
O texto se inicia afirmando que o trabalho não é apenas o responsável pela criação de riquezas, como afirmam os economistas, mas, de certa forma, pela criação do próprio homem, pois foi ele que deu origem às transformações ocorridas nos macacos.
Durante os milhares de anos dessa transformação, o corpo dos macacos foi sendo adaptado e evoluiu. A cada mudança em seus hábitos, como a saída dos galhos para começar a caminhar no chão, seu organismo sofria também alterações baseadas nessa mudança. No exemplo citado, por não utilizarem mais as mãos para caminhar no chão, ela passou a ser útil para outros fins, sofrendo alterações. Assim, o autor conclui que o nosso corpo não é apenas um órgão de trabalho, mas, também, um produto dele, o que se deve ao aperfeiçoamento do corpo advindo de suas novas funções e a transmissão hereditária destes. (pp. 21-22)
As adaptações de mãos e pés acarretaram mudanças em todo o organismo, por causa da Correlação do Crescimento, lei descoberta por Darwin. O melhor exemplo dessas mudanças seria o surgimento da linguagem: os homens, que são extremamente sociáveis, em determinado momento de sua evolução, sentiram a necessidade de dizer algo uns aos outros, o que acarretou no surgimento dos órgãos vocais.
O trabalho e a linguagem são os dois fatores principais na transformação e evolução do cérebro símio para o humano, maior e mais perfeito. E, com essa evolução, evoluíram também os sentidos, que, segundo o autor, são os instrumentos imediatos do cérebro. (p. 25)
Conforme evoluía e se distanciava da animalidade, o homem exercia mais e mais sua influência sobre a natureza, sempre através do trabalho, visando atingir objetivos pré-determinados. E essa seria a principal diferença entre o trabalho humano e o animal: o homem age sobre a natureza, modificando-a, conforme suas necessidades e suas vontades, enquanto o animal só pode aproveitar o que a natureza oferece, sem modificá-la. Colocando em poucas palavras, o homem domina a natureza enquanto o animal apenas se utiliza dela. (p. 33)
Mas essa dominação da natureza por parte do homem gera respostas desta. O autor cita alguns exemplos, como o dos povos antigos da Mesopotâmia, Grécia, Ásia Menor e outras regiões, que, ao desmatarem bosques para cultivar a terra livre, destruíram reservas de umidade, sendo responsável pela aridez atual desses lugares. Mas os homens aprenderam a prever e a evitar essas respostas da natureza, sempre por meio do aprendizado de novas técnicas. Porém os homens ainda estão longe de prever e evitar as consequências sociais de seus atos. Para citar um exemplo, Colombo não sabia, ao descobrir a América, que faria ressurgir a escravidão, há muito extinta.
Apesar de parcialmente datado, este texto, escrito no final do século XIX, traz elementos muito importantes para qualquer estudioso das ciências sociais, por tratar de um fator determinante na evolução do ser humano, o trabalho. Levando em consideração a data em que foi escrito e adaptando-o aos dias de hoje, podemos tirar muitas informações essenciais deste texto. Além disso, percebemos uma crítica por parte do autor, criador do socialismo científico ao lado de Karl Marx, a todos os meios de produção existentes, por sempre visarem um resultado imediato, sem se preocupar com as consequências que surgiriam mais tarde.
Friedrich Engels foi um teórico revolucionário alemão que escreveu livros de profunda análise social. Juntamente com Marx, escreveu O Manifesto do Partido Comunista e ajudou a publicar os dois últimos volumes de "O Capital", escrito por Marx.

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